3 anos passam – e festejam-se – a correr

ImageOntem fizemos 3 anos. Foi num dia 29 de abril, em 2009, que surgiram no mercado dois livros como nunca se tinham visto: Galope! e O Diário de um Banana.

Felizmente esses dois títulos permitiram-nos começar com o pé direito.

Felizmente publicámos em 3 anos 300 títulos com uma tiragem média de 4600 exemplares, muito acima da média do mercado.

Felizmente comemoramos este aniversário com uma nova identidade unificada que permitirá identificar e reconhecer a qualidade dos livros que publicamos.

Felizmente comemoramos este aniversário a correr, porque estamos a trabalhar, e a trabalhar muito para podermos continuar a dizer felizmente.

Aos nossos queridos leitores, parabéns de todos nós (autores e editores), por nos lerem!

(Foto tirada daqui e texto plagiado daqui.)

Feira do Livro de Lisboa 2012 reflete a crise

A Feira do Livro de Lisboa 2012, a decorrer de de 24 de abril a 13 de maio como de costume no Parque Eduardo VII, vai refletir a crise do mercado do livro, que caiu 3% em valor em 2011 (dados: GfK) e promete voltar a cair em 2012.

Basta olhar para os números:

  • 2011: 106 exibidores em 191 stands, e ainda Porto Editora, Leya, Babel e tenda pequenos editores com espaços diferenciados.
  • 2012: 95 exibidores em 172 stands, mais Babel com 8 stands, mantendo-se Porto Editora, Leya e tenda pequenos editores com espaços diferenciados iguais a 2011.

Ou seja, este ano há uma queda de 10% no número de exibidores e de stands independentes. Contando com os espaços diferenciados, este ano a Feira terá menos 7% de espaço de exposição.

Nós também contribuimos para este desaire, já que este ano, além de termos deixado de ser associados da APEL, não teremos stand próprio e apenas estaremos representados pela distribuidora Contramargem. É a crise.

Estamos em mudança de morada

No fim do mês deixamos a Portela e o Cacém e mudamo-nos para a Amadora. Sem aumento de custos, conseguiremos reunir num só espaço a equipa que está fragmentada pelos dois sítios, separados 30 km entre si.

120216 (2)

Neste novo edifício, mesmo defronte do Continente da Amadora, temos espaço para crescer. E também para aparecer, porque vamos estar bem visíveis da via rápida.

À exceção da morada física e respetivas coordenadas de GPS, todos os nossos contactos se manterão. Tome nota e veja no mapa:

MORADA ÚNICA A PARTIR DE 01-ABR-2012:
Rua Alfredo da Silva, 12 – 2610-016 Amadora
Tel 218936000 • Fax 219243133 • GPS 38.7414, -9.2303
contacto@2020.ptcomercial@2020.ptfinanceiro@2020.pt

 


Ver num mapa maior

Balanço anual número 3: 2011

Tal como no ano passado, se me atraso mais um dia este ano, já não faço o balanço de 2011 antes que seja Março. Por isso, aqui vai.

1. Há um ano, escrevi que 2010 tinha sido um ano de crise, mas acreditava que o mercado iria recuperar. Estava enganado. 2011 foi ainda pior, para o país e para o setor do livro, que caiu 3% em valor (painel GfK). As nossas vendas cresceram 8%, nada mau mas ainda assim abaixo do nosso objetivo por causa do que a seguir conto.

A nossa distribuidora Konsoante acabou por ser vítima da crise, que afetou a sua capacidade de pagar aos credores. No início de outubro, sofreu uma penhora de bens que a paralisou irremediavelmente, levando à sua falência.

Nós éramos a maior editora distribuída pela Konsoante e também o seu maior credor. E, no entanto, não fomos nós quem a penhorou e provocou a falência; pelo contrário, tínhamos arranjado uma solução para ela continuar a operar, até como forma de poder vir a pagar o que devia a nós e aos outros credores. É minha tese que uma editora só deve ter distribuição própria a partir de uma certa dimensão, e nós ainda não estávamos – por isso queríamos continuar com a Konsoante.

Nós queríamos mas o destino não quis, e dum momento para o outro vimo-nos a braços com um buraco financeiro enorme que ameaçava a nossa própria sobrevivência e ficámos sem distribuição nas vésperas do lançamento do nosso maior título do ano – O Diário de um Banana 5: A Verdade Nua e Crua.

Ou fechávamos nós também, ou dávamos o passo que faltava.

A decisão era óbvia.

O acontecimento do ano acabou assim por ser a nossa EMANCIPAÇÃO ANTECIPADA. Emancipação por passarmos a ter distribuição própria, antecipada por não prevermos que fosse já.

2. Passar a ter distribuição própria significa montar o departamento administrativo-financeiro, montar o departamento de vendas, montar o departamento logístico, contratar pessoas, arranjar armazém e mais escritórios, adquirir equipamentos, software, automóveis, criar uma nova empresa para fazer as vendas… e tudo isso fizemos em duas semanas loucas de outubro. Em 5 de novembro, foi o grande lançamento, na data prevista.

Tudo isto foi conseguido graças à equipa fenomenal que é a Booksmile Nascente Vogais (ainda falta um nome para designar a editora). De 6 pessoas (tínhamos começado o ano com 8 ) crescemos para 16 pessoas e todos vestiram a camisola. Misto de experiência e juventude, de competência formal e conhecimento empírico, a nossa equipa juntou forças na adversidade e saiu a ganhar. Repito, uma equipa fenomenal!

3. A Konsoante ficou a dever-nos mais de um milhão de euros, que não temos esperança de recuperar. Foi dinheiro que não entrou na nossa caixa para pagar aos nossos próprios credores. Qualquer um deles podia ter-nos feito o que fizeram à Konsoante, e íamos abaixo.

Qualquer um deles – incluindo os autores a quem pagamos direitos, as editoras estrangeiras a quem adquirimos direitos e livros, as gráficas onde imprimimos, e todos os freelancers que adoramos e que nos fazem traduções, revisões, paginações, capas e ilustrações – qualquer um deles nos podia ter mandado abaixo.

Só não mandaram porque se calhar confiaram em nós e acreditaram no nosso plano para dar a volta à situação e aceitaram o reescalonamento dos seus créditos, e por isso fica aqui um muito obrigado aos nossos parceiros que nos estão a apoiar.

4. Passando ao balanço editorial, o nosso plano retraiu-se por causa da crise e da Konsoante: de 120 títulos novos previstos entre as três chancelas (incluindo a nova Nascente, lançada em janeiro), lançámos 98, e reeditámos outros 62.

Concentrámo-nos em títulos de maior tiragem, e por isso está aqui o outro acontecimento do ano: entrámos no top 10 de títulos vendidos em 2011, com O Diário de um Banana 4: Um Dia de Cão, lançado em abril e que foi nesse mês mesmo o título mais vendido em Portugal (painel GfK).

No total do ano, imprimimos 560 mil livros, dos quais 295 mil de títulos novos (tiragem média: 3000 exemplares) e 265 mil das reedições.

Por chancelas, os 98 títulos novos repartiram-se em 59 para a Booksmile, 26 para a Nascente e 13 para a Vogais.

As nossas coleções-estrela continuam a ser O Diário de um Banana e Princesa Poppy, tendo cada uma delas ultrapassado a tiragem acumulada de 300.000 livros em 2011. Mas também destacamos no ano a edição de autores e personalidades consagradas como James Patterson (o seu primeiro título infantil), OSHO e Guy Kawasaki. Todos eles, e não só – e não só eles – fizeram com que fôssemos presença constante e repetida nos tops de vendas durante todo o ano.

Este é o segredo de uma editora de sucesso: ter títulos de sucesso. E o sucesso não é só sorte – também é sorte, mas não é só sorte. É preciso ir atrás do sucesso – e é com muita mágoa que recordamos que fomos atrás do livro mais vendido em Portugal em 2011 e que abandonámos o leilão de direitos a meio para nos concentrarmos nas questões financeiras da Konsoante. É a vida… mas qual será o livro mais vendido em 2012, para irmos outra vez atrás do sucesso?

Registamos ainda a venda dos primeiros direitos para o estrangeiro. Vida: Já perdoei erros quase imperdoáveis, de Augusto Branco, sai em maio no Brasil.

5. Objectivos 2012: vai ser outra vez um ano terrível para o mercado, com retração em valor. Mas nós vamos crescer 30%. E queremos crescer ainda mais, com investimento, ou com fusões, porque temos a competência, a equipa, os métodos, o momentum, e precisamos de pagar aos nossos parceiros para ultrapassar integralmente o buraco financeiro da Konsoante.

Editorialmente, vamos consolidar as nossas chancelas, e ter mais produção original – sempre cumprindo o mantra: editar livros de qualidade para o grande público.

Comercialmente, vamos manter a nossa agressividade e tentar descobrir como chegar aos livreiros independentes, que neste momento descuramos por não ser rentável ter uma equipa de vendas própria para os contactar.

A nível da organização, temos neste momento a equipa partida a meio, com 30 km a separar as duas metades – mas já em Abril mudaremos para novas instalações, funcionais e atrativas, na Amadora.

Finalmente, as surpresas. Se 2012 for como 2011, vamos ter algumas. Mas desta vez vamos fazer com que sejam agradáveis. Para nós, para os nossos parceiros e clientes, e para os nossos leitores!

Balanço da Feira do Livro do Porto 2011

downloadTerminou no domingo passado a Feira do Livro do Porto, edição 2011. À semelhança do balanço que fiz para a Feira de Lisboa, deixo aqui para memória futura o balanço desta e a análise comparativa com a Feira de Lisboa.

Foi apenas o nosso segundo ano de presença na Feira. Mantivemos um pavilhão simples, praticamente na mesma localização, que não nos agrada muito – uma ilha isolada de apenas oito pavilhões, entre a “feira de cima” e a “feira de baixo” – pelo baixo número de pavilhões, a nossa ilha torna-se local de passagem dos visitantes e não de paragem.

Este ano a feira durou menos dois dias que em 2010. Sobre as vendas globais da Feira, disse o seu director Avelino Soares: “Pelas conversas que tivemos, pensamos que houve um pequeno decréscimo que pode rondar os cinco, dez por cento do volume de vendas”.

Connosco ninguém conversou, senão ter-lhe-íamos dito que, estando no mesmo local e com o mesmo tipo de pavilhão, o nosso volume de vendas foi EXACTAMENTE O DOBRO que no ano passado (mais uma vez, terei todo o prazer em revelar o valor aos editores que mo peçam, apesar de ninguém mo ter pedido relativamente a Lisboa).

Portanto, se em Lisboa mantivemos o volume de vendas, no Porto duplicámos. Ainda assim, no Porto vendemos pouco mais de metade do que vendemos em Lisboa, e o que vendemos no Porto representa apenas 0,6% da nossa facturação anual. Ou seja, nada que deva apoquentar os livreiros locais em termos da sua facturação anual.

Tal como em Lisboa, o objectivo do pavilhão centrou-se prioritariamente em promoções de preço a partir de 1€ e com até 90% de desconto (para títulos descatalogados), e secundariamente em colecções best-sellers (só com 10% de desconto). Fizemos uma decoração agressiva do pavilhão baseada em promoções, e levámos o nosso personagem-estrela para sessões de autógrafos em todos os fins-de-semana.

O preço de venda médio ponderado foi de 7,98€ (Lisboa: 8,14€), reflectindo um desconto médio ponderado sobre o PVP original de 41% (significativamente superior ao de Lisboa: 35%).

O top 10 de vendas foi muito semelhante ao de Lisboa, igualmente repartido entre títulos best-sellers com apenas 10% de desconto e títulos fortemente descontados. No entanto, enquanto que o desconto médio ponderado do top 10 em valor foi de 21% em Lisboa, no Porto foi de 38%. E o título mais vendido em quantidade no Porto foi uma promoção a 1€ com 92% de desconto, enquanto em Lisboa foi um título com apenas 10% de desconto.

Isto quer dizer o seguinte, e é assim que eu analiso a atitude de consumo dos visitantes da Feira do Porto, muito diferente da atitude em Lisboa:

Os visitantes no Porto são muito mais sensíveis ao preço e procuram muito mais promoções que em Lisboa, consequência do seu menor poder de compra.

Esta constatação, conjugada com o tema da decoração do nosso pavilhão centrado nas promoções (vs. ausência de decoração em 2010), justifica a duplicação das vendas este ano.

Ainda assim, considerando o papel ainda mais residual da Feira do Porto em termos de volume de vendas, só nos pode interessar estar presentes enquanto parte integrante de uma FESTA do livro e não de um mercado do livro. Tudo o que escrevi no balanço de Lisboa sobre o interesse de uma Feira deste género aplica-se ainda com mais razão à Feira do Porto.

Balanço da Feira do Livro de Lisboa 2011

ImageTerminou no Domingo a Feira do Livro de Lisboa, edição 2011. Foi apenas o nosso segundo ano de presença na Feira, desta vez com um pavilhão duplo em vez de dois simples, juntando as nossas chancelas Booksmile, Nascente e Vogais.

Já venho um pouco atrasado para escrever o nosso balanço e análise, mas aqui fica.

1. Números

Este ano a feira não teve direito a uma semana de prolongamento, como no ano passado, porque não fez tanto mau tempo. Ainda assim, o nosso volume de vendas manteve-se praticamente inalterado (menos 0,5% de receita de caixa – terei todo o prazer em revelar o valor aos editores que mo peçam).

O objectivo do pavilhão centrou-se prioritariamente em promoções de preço (para títulos descatalogados), e secundariamente em colecções best-sellers. Isso traduziu-se em descontos sobre o PVP original que variaram entre 10% (para as colecções conhecidas e best-sellers) e 92% (para 2 títulos que colocámos a 1€).

O PVP médio ponderado foi de 8,14€, incluindo um desconto médio ponderado de 35%.

O top 10 de vendas em quantidade foi constituído por 5 títulos com 10% de desconto e 5 títulos com 55% a 92% de desconto. O top 10 de vendas em valor foi constituído por 6 títulos com 10% de desconto e 4 títulos com 55% a 70% de desconto.

Isto quer dizer o seguinte, e é assim que eu analiso a atitude de consumo dos visitantes da Feira:

Os visitantes ou compram títulos conhecidos sem olharem ao desconto, ou compram títulos desconhecidos se tiverem grandes descontos.

No meio destes dois extremos, o papel do desconto tradicional de 20% torna-se meramente simbólico como caracterizador do lado discount da Feira. E por isso é que a hora H funciona, devido ao grande desconto que dá.

2. Análise

Para uma editora, a Feira do Livro de Lisboa (e a do Porto) servirá para um ou mais destes objectivos:

  1. Obter receitas e lucros
  2. Liquidar títulos descatalogados
  3. Fazer montra dos títulos
  4. Aproximar os autores dos leitores
  5. Mostrar-se
  6. Ajudar a promover o livro em geral

Para nós, se não fosse o último ponto, a Feira não teria razão de ser. A Feira representa apenas 1% a 2% das nossas vendas e lucros anuais, que não compensam a perda de vendas sofrida pelo retalho nem o antagonismo com que ele retribui. A Feira não tem tráfego suficiente para escoar os monos. E a Feira não é o meio mais eficaz, em termos de custo por contacto e de recordação, de publicitar os nossos títulos e fazer chegar os autores junto dos leitores.

A minha conclusão é que só nos interessa participar nas Feiras do Livro de Lisboa e do Porto se ajudarem a promover o livro em geral. Não por cada editora a promover os seus títulos e autores, mas por todas as editoras promoverem o livro em geral.

A Feira não deve ser uma feira, deve ser uma festa.

Uma festa, porque serve para estimular o aumento sustentado do consumo de livros, começando com as crianças que vão em visitas de estudo organizadas à festa. Uma festa que contribui para aumentar o valor do mercado do livro – que contribui para que haja mais procura de livros em geral, e com isso vender-se-ão mais livros em geral, e o retalho venderá mais livros, e nós venderemos mais livros (no retalho, não na feira).

No entanto, por ser uma festa cara, admito que só conseguimos participar nela se houver uma componente de feira para fazermos vendas directas ao público. E até aceito que os maiores grupos editoriais, para poderem investir mais na festa, criem autênticas lojas que multiplicam o seu potencial de vendas em relação aos pavilhões mais tradicionais, mas que são elas próprias, pela animação permanente, festas.

Nesta perspectiva, pelos benefícios indirectos para todo o mercado e não pelos directos para a editora, a FESTA vale a pena. A FESTA, não a Feira!

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