Por amanhã, pela Rosa, por sempre!

Vale a pena ler aqui estas palavras para a Rosa Lobato Faria, por Rosa Lobato Faria!

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“Rosa Lobato Faria
João Lemos
A escritora, letrista e actriz Rosa Lobato Faria, morreu hoje, dia 2, aos 77 anos, depois de uma semana de internamento num hospital privado. Foi colaboradora (dizendo poesias) de David Mourão-Ferreira em programas literários da televisão. Autora, entre outros, dos romances Flor do Sal, A Trança de Inês, Romance de Cordélia, O Prenúncio das Águas, ou mais recentemente A Estrela de Gonçalo Enes (ed. Quasi). Publicamos aqui a ‘autobiografia’ que escreveu para o JL há dois anos

Autobiografia
Quando eu era pequena havia um mistério chamado Infância. Nunca tínhamos ouvido falar de coisas aberrantes como educação sexual, política e pedofilia. Vivíamos num mundo mágico de princesas imaginárias, príncipes encantados e animais que falavam. A pior pessoa que conhecíamos era a Bruxa da Branca de Neve. Fazíamos hospitais para as formigas onde as camas eram folhinhas de oliveira e não comíamos à mesa com os adultos. Isto poupava-nos a conversas enfadonhas e incompreensíveis, a milhas do nosso mundo tão outro, e deixava-nos livres para projectos essenciais, como ir ver oscilar os agriões nos regatos e fazer colares e brincos de cerejas. Baptizávamos as árvores, passeávamos de burro, fabricávamos grinaldas de flores do campo. Fazíamos quadras ao desafio, inventávamos palavras e entoávamos melodias nunca aprendidas.

Na Infância as escolas ainda não tinham fechado. Ensinavam-nos coisas inúteis como as regras da sintaxe e da ortografia, coisas traumáticas como sujeitos, predicados e complementos directos, coisas imbecis como verbos e tabuadas. Tinham a infeliz ideia de nos ensinar a pensar e a surpreendente mania de acreditar que isso era bom.
Não batíamos na professora, levávamos-lhe flores.

E depois ainda havia infância para perceber o aroma do suco das maçãs trincadas com dentes novos, um rasto de hortelã nos aventais, a angustia de esperar o nascer do sol sem ter a certeza de que viria (não fosse a ousadia dos pássaros só visíveis na luz indecisa da aurora), a beleza das cantigas límpidas das camponesas, o fulgor das papoilas. E havia a praia, o mar, as bolas de Berlim. (As bolas de Berlim são uma espécie de ex-libris da Infância e nunca mais na vida houve fosse o que fosse que nos soubesse tão bem).

Aos quatro anos aprendi a ler; aos seis fazia versos, aos nove ensinaram-me inglês e pude alargar o âmbito das minhas leituras infantis. Aos treze fui, interna, para o Colégio. Ali havia muitas raparigas que cheiravam a pão, escreviam cartas às escondidas, e sonhavam com os filmes que viam nas férias. Tínhamos a certeza de que o Tyrone Power havia de vir buscar-nos, com os seus olhos morenos, depois de nos ter visto fazer uma entrada espampanante no salão de baile onde o Fred Astaire já nos teria escolhido para seu par ideal.

Chamava-se a isto Adolescência, as formas cresciam-nos como as necessidades do espírito, música, leitura, poesia, para mim sobretudo literatura, história universal, história de arte, descobrimentos e o Camões a contar aquilo tudo, e as professoras a dizerem, aplica-te, menina, que vais ser escritora.

Eram aulas gloriosas, em que a espuma do mar entrava pela janela, a música da poesia medieval ressoava nas paredes cheias de sol, ay eu coitada, como vivo em gran cuidado, e ay flores, se sabedes novas, vai-las lavar alva, e o rio corria entre as carteiras e nele molhávamos os pés e as almas.

Além de tudo isto, que sorte, ainda havia tremas e acentos graves.
Mas também tínhamos a célebre aula de Economia Doméstica de onde saíamos com a sensação de que a mulher era uma merdinha frágil, sem vontade própria, sempre a obedecer ao marido, fraca de espírito que não de corpo, pois, tendo passado o dia inteiro a esfregar o chão com palha de aço, a espalhar cera, a puxar-lhe o lustro, mal ouvia a chave na porta havia de apresentar-se ao macho milagrosamente fresca, vestida de Doris Day, a mesa posta, o jantarinho rescendente, e nem uma unha partida, nem um cabelo desalinhado, lá-lá-lá, chegaste, meu amor, que felicidade! (A professora era uma solteirona, mais sonhadora do que nós, que sabia todas as receitas do mundo para tirar todas as nódoas do mundo e os melhores truques para arear os tachos de cobre que ninguém tinha na vida real).

Mas o que sabíamos nós da vida real? Aos 17 anos entrei para a Faculdade sem fazer a mínima ideia do que isso fosse. Aos 19 casei-me, ainda completamente em branco (e não me refiro só à cor do vestido). Só seis anos, três filhos e centenas de livros mais tarde é que resolvi arrumar os meus valores como quem arruma um guarda-vestidos. Isto não, isto não se usa, isto não gosto, isto sim, isto seguramente, isto talvez. Os preconceitos foram os primeiros a desandar, assim como todos os itens que à pergunta porquê só me tinham respondido porque sim, ou, pior, porque sempre foi assim. E eu, tumba, lixo, se sempre foi assim é altura de deixar de ser e começar a abrir caminho às gerações futuras (ainda não sabia que entre os meus 12 netos se contariam nove mulheres). Ouvi ontem uma jovem a dizer, a revolução que nós fizemos nos últimos anos. Não meu amor: a revolução que NÓS fizemos nos últimos 50 anos. Mas não interessa quem fez o quê. É preciso é que tenha sido feito. E que seja feito. E eu fiz tudo, quando ainda não era suposto. Quando descobri que ser livre era acreditar em mim própria, nos meus poucos, mas bons, valores pessoais.

Depois foram as circunstâncias da vida. A alegria de mais um filho, erros, acertos, disparates, generosidades, ingenuidades, tudo muito bom para aprender alguma coisa. Tudo muito bom. Aprender é a palavra chave e dou por mal empregue o dia em que não aprendo nada. Ainda espero ter tempo de aprender muita coisa, agora que decidi que a Bíblia é uma metáfora da vida humana e posso glosar essa descoberta até, praticamente, ao infinito.

Pois é. Eu achava, pobre de mim, que era poetisa. Ainda não sabia que estava só a tirar apontamentos para o que havia de fazer mais tarde. A ganhar intimidade, cumplicidade com as palavras. Também escrevia crónicas e contos e recados à mulher-a-dias. E de repente, aos 63 anos, renasci. Cresceu-me uma alma de romancista e vá de escrever dez romances em 12 anos, mais um livro de contos (Os Linhos da Avó) e sete ou oito livros infantis. (Esta não é a minha área, mas não sei porquê, pedem-me livros infantis. Ainda não escrevi nenhum que me procurasse como acontece com os romances para adultos, que vêm de noite ou quando vou no comboio e se me insinuam nos interstícios do cérebro, e me atiram para outra dimensão e me fazem sorrir por dentro o tempo todo e me tornam mais disponível, mais alegre, mais nova).

Isto da idade também tem a sua graça. Por fora, realmente, nota-se muito. Mas eu pouco olho para o espelho e esqueço-me dessa história da imagem. Quando estou em processo criativo sinto-me bonita. É como se tivesse luzinhas na cabeça. Há 45 anos, com aquela soberba muito feminina, costumava dizer que o meu espelho eram os olhos dos homens. Agora são os olhos dos meus leitores, sem distinção de sexo, raça, idade ou religião. É um progresso enorme.

Se isto fosse uma autobiografia teria que dizer que, perto dos 30, comecei a dizer poesia na televisão e pelos 40 e tais pus-me a fazer umas maluqueiras em novelas, séries, etc. Também escrevi algumas destas coisas e daqui senti-me tentada a escrever para o palco, que é uma das coisas mais consoladoras que existem (outra pessoa diria gratificantes, mas eu, não sei porquê, embirro com essa palavra). Não há nada mais bonito do que ver as nossas palavras ganharem vida, e sangue, e alma, pela voz e pelo corpo e pela inteligência dos actores. Adoro actores. Mas não me atrevo a fazer teatro porque não aprendi.

Que mais? Ah, as cantigas. Já escrevi mais de mil e 500 e é uma das coisas mais divertidas que me aconteceu. Ouvir a música e perceber o que é que lá vem escrito, porque a melodia, como o vento, tem uma alma e é preciso descobrir o que ela esconde. Depois é uma lotaria. Ou me cantam maravilhosamente bem ou tristemente mal. Mas há que arriscar e, no fundo, é só uma cantiga. Irrelevante.

Se isto fosse uma autobiografia teria muitas outras coisas para contar. Mas não conto. Primeiro, porque não quero. Segundo, porque só me dão este espaço que, para 75 anos de vida, convenhamos, não é excessivo.
Encontramo-nos no meu próximo romance.”

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Continuando no Meios & Publicidade…

Para os mais cépticos…

“Facebook utilizado para procurar informação sobre marcas
3 de Fevereiro de 2010, por PEDRO DURÃES
Cerca de 40 por cento dos utilizadores serviu-se, pelo menos por uma vez, do Facebook para encontrar informação sobre uma marca. A conclusão é de um estudo do espanhol Observatório de Redes Sociais, que recolheu uma série de resultados animadores para as marcas que procuram tirar proveito das novas ferramentas de comunicação digital.
Para a grande maioria dos inquiridos, a presença das marcas neste tipo de suportes não é considerada excessiva, nem é vista como um forma de publicidade invasiva ou agressiva. Uma em cada três pessoas considera mesmo que pode ser uma iniciativa “interessante ou divertida”.

Este panorama é mais evidente no Facebook, onde cerca de metade dos utilizadores afirma seguir de perto as actividades das marcas, bem como procurar na rede informação sobre elas. No Twitter essa relação entre utilizadores e marcas não é ainda tão evidente. Entre os vários tipos de acção publicitária levadas a cabo nas redes sociais são aquelas que trazem algum benefício económico aos utilizadores que registam melhores níveis de aceitação (70 por cento), sendo que as ofertas ligadas ao lazer (viagens, tecnologia e informática ou roupa) são as que mais agradam os utilizadores com respostas positivas de dois em cada três usuários.

De acordo com os dados obtidos pelo estudo levado a cabo pela The Cocktail Analysis, que tem por base 1565 entrevistas a internautas e seis grupos de discussão, a confiança dos utilizadores nas redes sociais está a aumentar. Dois em cada três inquiridos revelam confiar mais neste tipo de suporte do que noutros mais clássicos.”

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Num País como o nosso…

Gostava de ver mais campanhas como esta. Com a simplicidade que só a mestria consegue conceber, com uma mensagem clara e a advertência sobre um dos flagelos sociais que mais problemas causa!

 

Porque nós por cá preocupamos-nos com a infância, como ela é levada, a educação, o mundo de sonho e de fantasia que nos ajudam a todos a ser adultos melhores. Seja com a Princesa Poppy, os Quá-Quá, o Galope, Matias e Matilde, enfim, seja apenas com o amor dos avós ou a distância da televisão, vale a pena ver este anúncio e olhar para o mundo da Poppy! Não estragamos nunca o que deve ser a infância!

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Obras antigas e usadas a partir de um euro no Mercado da Ribeira

Ouvi dizer que a partir de hoje, mais de dez mil livros antigos, usados e manuseados, estão à venda no Mercado da Ribeira (em Lisboa), com preços a partir de um euro.

Desde há cinco anos que a “Quinzena do Livro Antigo e do Alfarrábio” anima o espaço do Mercado da Ribeira e já lá passei valentes horas. Apesar de chegar à conclusão que o ímpeto é maior que os resultados. No ano passado, nem sequer cheguei a comprar um livro. Mas é um passeio interessante e incentiva sempre o gosto pelo livro!

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Afinal ainda há tudo para fazer…

Já perceberam que sou um leitor compulsivo da Lusa – e devo reconhecer o bom trabalho da nossa agência noticiosa oficial!

Há dois dias atrás, dei conta da candidatura de Lisboa a Capital Mundial do Livro em 2012. Hoje li um pouco mais sobre o que promete ser uma novela. Miguel Freitas da Costa afirmou que “está tudo ainda por decidir, mas até 31 de Março temos de congregar esforços e decidir um programa e apresentar a candidatura”. Mais, este responsável diz ainda que “tudo se congrega para que seja apresentada, até porque em 2011 será em Buenos Aires, e não pode acontecer duas vezes seguidas no mesmo continente”.

Este ano, é a Eslovénia a capital, sendo a cidade a dinamizadora da iniciativa que começou pela primeira vez em 2001 em Madrid. Objectivo: a promoção do livro e da leitura.

A capital mundial do livro inicia as suas actividades dia 23 de Abril – Dia Mundial do Livro e dos Direitos de Autor – e decorre nos 12 meses seguintes, sendo uma iniciativa patrocinada pela UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura).

Freitas da Costa afirmou ainda que a proposta terá de envolver, além da Câmara de Lisboa, outros organismos oficiais, designadamente o Ministério da Cultura. Curioso, positivamente, é ainda o facto de em Setembro de 2010, Lisboa receber o encontro mundial da Agência do ISBN (International Standard Book Number).

A Lusa, como compete ao trabalho jornalístico, contactou a autarquia lisboeta, mas não obteve qualquer declaração sobre a candidatura em tempo oportuno.

 

Prometo estar atento ao desenrolar, pois afinal ainda há tudo para fazer!

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A nossa cortiça!

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Não é por conhecê-la, mas porque o projecto da Sandra merece os parabéns por ter conquistado, sozinho e à custa de muito trabalho e dedicação, uma visibilidade única!

É também um prazer ter a Sandra entre os meus amigos e os amigos facebookianos da Booksmile, porque também nós esperamos, com o nosso muito trabalho e dedicação, atingir este patamar!

Que a cortiça seja um cartão de visita nacional.

Faro, 19 Jan (Lusa) – Objectos de design feitos de cortiça algarvia vão estar expostos e à venda a partir de Maio no Museu de Arte Moderna (MOMA) de Nova Iorque, um dos mais conceituados museus mundiais, disse hoje à Lusa a proprietária da empresa Pelcor.

Produtos de design luxuosos concebidos a partir da casca de sobreiro como chapéus de chuva, bolsas de cosmética, relógios de pulso, aventais, malas a tiracolo, sacos de compras, bolsas para moedas, carteiras para homem e para cartões de visita são alguns dos objectos amigos do ambiente que vão estar na “MOMA Design Store: Destination Portugal”.

“Vai ser a primeira grande montra da Pelcor nos EUA e naquele que deve ser o museu mais visitado do mundo”, reconheceu Sandra Correia, proprietária da Pelcor, a única empresa algarvia que manufactura a cortiça e está localizada em S. Brás de Alportel.

Os produtos de cortiça vão também estar à venda na loja de lembranças do MOMA, referiu Sandra Correia, reconhecendo que esta iniciativa significa um aumento do volume de negócios na ordem dos 10 por cento.

Em entrevista à Lusa, a empresária referiu que a data da inauguração ainda não foi definida, mas que esse dia está a ser preparado com pompa, onde vão ser convidados diplomatas americanos e entidades portuguesas, além da imprensa norte-americana.

A Pelcor vai também exibir, entre sexta-feira e domingo, a cortiça algarvia na feira ecológica de Los Angeles (Califórnia/EUA), denominada “L.A. Go Green”, um evento com 250 expositores e cujo objectivo é revelar produtos que respeitam o Ambiente em pleno Ano Internacional dedicado à Biodiversidade.

“Vamos a Los Angeles com a nossa colecção Primavera/Verão 2010 e levamos produtos para alta moda como cintos, carteiras e malas em cortiça com cores”, explicou Sandra Correia.

O negócio corticeiro da família Correia começou em 1935, no centro do Algarve, região considerada o berço da melhor cortiça do mundo.

Pelas mãos do artesão António Correia, avô de Sandra, crescia uma mini-indústria dedicada à confecção de tacões para sapatos, canas de pesca e rolhas para garrafas de vinhos e champanhe francês.

Hoje, passados 75 anos, a empresa de cortiça continua a produzir as rolhas para os champanhes mais “rafinés” do mundo, mas para se poder internacionalizar apostou na criação de produtos “fashion”.

Em Setembro de 2009, a Pelcor esteve presente no famoso restaurante Rouge Tomato, na 5ª Avenida de Nova Iorque, um evento de grande prestígio, por onde passaram cerca de 300 membros da imprensa americana, desde jornalistas, a produtoras de filmes, analistas de mercado, escritores, fotógrafos, entre outros.

Uma princesa da Arábia Saudita, Jawaher, recebeu recentemente no seu palácio em Riade, capital daquele reino, 110 quilos de cortiça algarvia transformada em individuais para oferecer jantares aos convidados. Os “table-mate” exclusivos lançaram a empresa portuguesa no mundo árabe.

CCM.

Lusa/FIM

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