Ebooks, plataformas de distribuição e o mercado português

A propósito do artigo anterior que mostrava o primeiro “ebook obrigatório” para iPad, lembrei-me de umas respostas que dei há uns tempos (antes da saída do iPad) a Lúcia Crespo, do Jornal de Negócios, sobre ebooks, iPad e o nosso futuro:

De que forma é que a Booksmile se está a preparar para esta revolução? Recordo-me de Manuel Freitas referir: “Quero publicar obras em papel electrónico, a cores e com maior interactividade”.
Está no nosso DNA inovar e provocar inovação e é isso que significa o nosso lema “livros que saltam à vista”. Mas ainda não é possível fazer ebooks que saltem à vista. Cores e interactividade? Vamos ver se o iPad cumpre, se bem que como leitor de ebooks ainda custa um olho da cara.

Mas a vossa maior aposta é no papel, correcto?
Sim, mas a curva de importância do papel irá declinando até 2020, ano em que publicaremos o último livro em papel. Não que desapareça completamente a procura de livros em papel mas o nosso objectivo é esse porque queremos ir à frente e continuar a inovar.

Consideram que em Portugal existe massa crítica para a leitura de livros digitais, através de e-book readers ou outros dispositivos digitais?
Se existe massa crítica? Claro que ainda não, mas o problema do ovo e da galinha aplicado a este caso é claro: são os editores que têm de organizar uma oferta de ebooks em português antes que os portuueses comprem leitores de ebooks. E eu disse editores, não disse editores portugueses… A ameaça é real se os editores portugueses não se organizarem.

Consideram que o mercado das editoras em Portugal está, de uma forma geral, preparado para dar resposta à evolução tecnológica?
Estamos a falar de um pouco de evolução de mentalidade editorial e um muito de investimento de capital em plataformas de distribuição. Este investimento só é comportável se partilhado entre editoras. Portanto, as editoras que se organizem e idealmente sob o chapéu da APEL.

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