Como encaramos o novo Acordo Ortográfico
19/Abril/2010 por Manuel de Freitas
Parece que o novo Acordo Ortográfico (AO) entrou em vigor em Portugal a 1 de Janeiro deste ano de 2010, ou ainda antes, algures em 2009, quando a lei foi publicada no DR, ou ainda antes, algures no tempo perdido, quando os primeiros três países lusófonos ratificaram o acordo.
Do ponto de vista do negócio nada temos a recear com o AO, porque nem os brasileiros entrarão por aqui adentro para nos fazer concorrência, já que tem sempre de ser feita uma edição específica para Portugal por causa das diferenças linguísticas (que a ortografia unificada não resolve), nem os livros já impressos e no mercado serão deitados ao lixo.
Do ponto de vista político é que é preocupante a total inabilidade na gestão do calendário de entrada em vigor do AO, com cada entidade e organismo público e privado a usar o seu próprio critério por não ter havido instruções claras do poder executivo. É inconcebível que o Diário da República já esteja a aplicar o AO (mas como, se ainda não há um vocabulário oficial?), mas os editores não, porque até ao último momento não sabiam quando e se o AO ia ser aplicado.
Por estas razões é que a nossa posição relativamente ao AO é inteiramente pragmática, tal como já aqui tinha deixado: deixamos de lado a política e as politiquices, que são para quem gosta desses jogos, e aplicaremos o AO quando as editoras de livros escolares o fizerem. É que será só a partir desse momento que os nossos leitores jovens exigirão a nova ortografia; para os leitores menos jovens, quanto mais tarde aplicarmos o AO, melhor.
E afinal quando é que as editoras de livros escolares vão aplicar o AO? Já em 2010/2011, em que haverá alguns programas novos que requerem livros completamente novos? Ou em 2011/12, como sugeriu a ministra da Educação? Aguardamos um sinal de fumo, porque é certo e sabido que será tão em cima da hora que depois teremos de ir acudir ao fogo.
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